Desafios e Estratégias de Apoio para Estudantes de Engenharia do IFES - Campus São Mateus com TDAH
Resumen
O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição neurobiológica caracterizada por disfunções de neurotransmissores em regiões cerebrais relacionadas ao planejamento, organização, foco, atenção, impulsividade e memória. Essas disfunções impactam diretamente a capacidade de concentração, a gestão do tempo e a execução de tarefas, impondo desafios significativos ao longo da vida, especialmente no âmbito educacional. No contexto do Ensino Superior, onde a demanda por autonomia e organização é maior, o TDAH pode comprometer o desempenho acadêmico, a permanência e o bem-estar emocional dos estudantes. Cursos que necessitam de atenção e raciocínio lógico, como Engenharia, são particularmente desafiadores para esses estudantes, uma vez que exigem habilidades que muitas vezes são prejudicadas pelo transtorno [3]. Este estudo investiga as experiências de graduandos de Engenharia Elétrica e Mecânica do IFES – Campus São Mateus diagnosticados com TDAH. Por meio de uma revisão bibliográfica abrangente e da aplicação de questionários, buscou-se compreender os principais desafios enfrentados por esses estudantes, com foco em disciplinas que exigem alto nível de concentração, como matemática, física e outras áreas de exatas. Os dados mostram uma carência de suporte a estudantes com TDAH na Educação Básica, especialmente na rede pública. Muitos são promovidos ao longo do sistema sem o acompanhamento necessário, o que gera lacunas que impactam o desempenho na graduação. A ausência de diagnóstico precoce e suporte adequado agrava esses desafios, muitas vezes associados a ansiedade e depressão. Políticas públicas que garantam diagnóstico e suporte desde a Educação Básica são essenciais para uma trajetória acadêmica mais inclusiva. Identificamos dificuldades recorrentes no âmbito acadêmico do Ensino Superior, como a falta de foco durante as aulas, a gestão inadequada do tempo, o acúmulo de tarefas e os esquecimentos frequentes de datas de provas e materiais necessários. Apesar do tratamento medicamentoso, que alivia parcialmente os sintomas, as dificuldades persistem, especialmente em métodos de ensino tradicionais, como aulas expositivas com slides, que não atendem às necessidades específicas desses estudantes. Com base nos desafios relatados, propomos soluções viáveis apoiadas por métodos computacionais e matemáticos. Para melhorar a organização e o gerenciamento do tempo, sugerimos o uso de algoritmos de planejamento, como o Algoritmo de Escalonamento de Prioridades, e aplicativos de produtividade, como Google Agenda, Trello, Notion e Forest, que ajudam os estudantes a dividir tarefas em etapas menores e mais gerenciáveis. Além disso, propomos a implementação de sistemas de acesso assíncrono a aulas gravadas, permitindo que os estudantes revisem o conteúdo no seu próprio ritmo, conforme defendido por Ferreira [2]. Essa abordagem é particularmente útil para estudantes com TDAH, que podem se beneficiar da flexibilidade de revisar o material quantas vezes for necessário. Para avaliações, sugerimos abordagens personalizadas, como tempo adicional, ambientes separados e outras adaptações necessárias, dependendo das especificidades de cada estudante. A divisão de tarefas em etapas menores, aliada ao feedback contínuo, é uma estratégia eficaz. Além disso, a adoção de metodologias de ensino interativas, como simulações computacionais e jogos educativos, pode ser especialmente benéfica para estimular a atenção e o engajamento de estudantes com TDAH. Essas ferramentas não apenas tornam o aprendizado mais dinâmico, mas também ajudam a consolidar conceitos complexos de forma mais eficiente. A pesquisa também evidenciou a importância de um ambiente acadêmico inclusivo e de suporte. No IFES, o Núcleo de Apoio a Pessoas com Necessidades Específicas (NAPNE) atua no atendimento a estudantes com TDAH onde há outra condição associada, conforme estabelecido pela legislação. Essa limitação deixa alguns estudantes com suporte bem limitado, quando não possuem comorbidades adicionais. A implementação da Lei 14.254, que garante direitos a estudantes com TDAH, incluindo acompanhamento integral e treinamento de professores para identificar sintomas e apoiar adequadamente aos alunos, ainda é incipiente em muitas instituições [1]. Isso evidencia a necessidade de maior conscientização por parte da comunidade acadêmica para garantir que as diretrizes da lei sejam plenamente aplicadas. Este estudo contribui para a discussão sobre políticas educacionais inclusivas, destacando a necessidade de ações, como a implementação da Lei 14.254, a ampliação do suporte institucional e a promoção de práticas que garantam o sucesso acadêmico de estudantes com TDAH. A construção de um ambiente mais sensível às necessidades desses estudantes favorece tanto o desempenho individual quanto o fortalecimento de uma cultura educacional comprometida com a equidade e o respeito à diversidade. A incorporação de tecnologias, metodologias e políticas institucionais eficazes pode transformar a trajetória acadêmica desses estudantes, estimulando práticas educacionais que se conectem às demandas dos estudantes e contribuam para sua autonomia e desenvolvimento pessoal. [...]
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Citas
Brasil. Lei nº 14.254, de 10 de novembro de 2021. Online. Acessado em 24/11/2024, https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14254.htm.
J. C. P. Ferreira. “Acomodações, intervenções e modificações em sala de aula para estudantes universitários com o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade - TDAH: uma revisão sistemática”. Em: Revista Caderno Pedagógico 4 (2024), pp. 01–37. DOI: 10.54033/cadpedv21n4-099.
J. M. R. Silva. “O Suporte Pedagógico aos Estudantes com TDAH no Ensino Superior: Reflexos de uma Estudante com TDAH”. Trabalho de Conclusão de Curso. Instituto Latino-Americano de Arte, Cultura e História (ILAACH), 2023.