Redes Neurais LSTM Aplicadas à Previsão de Eventos Climáticos Extremos e Detecção de Anomalias

Autores

  • Débora S. Rodrigues PUC - Rio
  • Angélica N. Caseri PUC - Rio
  • Sinésio Pesco PUC - Rio

Resumo

Nos últimos anos, a frequência e intensidade de eventos climáticos extremos têm aumentado, impactando comunidades, ecossistemas e economias. No Rio de Janeiro, as chuvas intensas, impulsionadas pelas mudanças climáticas e urbanização, causam inundações e deslizamentos, destacando a necessidade de infraestrutura e políticas de gestão de riscos. A previsão de precipitação extrema enfrenta desafios devido à complexa interação de fatores atmosféricos, oceânicos e terrestres. Modelos numéricos de previsão do tempo (NWP) apresentam limitações, como erros sistemáticos e resoluções insuficientes para capturar eventos extremos em escalas menores, exigindo simplificações ou parametrizações que podem introduzir erros [3]. O uso de Inteligência Artificial e Machine Learning tem aprimorado a previsão de chuvas extremas ao identificar padrões em séries temporais e variáveis meteorológicas. Estudos recentes exploram arquiteturas como Transformers e redes convolucionais 3D para aumentar a precisão das previsões [2], [4]. Métodos baseados em redes neurais recorrentes, têm superado técnicas tradicionais na previsão de precipitações intensas, embora desafios persistam, como a dependência de dados de radar de alta qualidade e a adaptação a diferentes regiões [1]. Este trabalho propõe um modelo preditivo para antecipar eventos de precipitação intensa, identificando anomalias e picos de chuva. Para isso, uma rede neural LSTM (Long Short-Term Memory) é treinada exclusivamente com dados de eventos extremos de chuva, buscando contornar a escassez de informações sobre esses fenômenos. A metodologia utiliza dados de pluviômetros de três estações no Rio de Janeiro, coletados entre 2014 e 2023, e emprega janelas temporais deslizantes (lags) de diferentes tamanhos para capturar variações ao longo do tempo. O desempenho do modelo é avaliado por métricas como o RMSE (Root Mean Square Error), que mede a precisão das previsões em relação aos dados observados. Em séries temporais, janelas deslizantes definem o número de períodos anteriores considerados para prever um valor futuro. Assim, cada janela contém um conjunto de observações passadas, permitindo que a rede capture padrões e dependências ao longo do tempo. Para representar a dinâmica da precipitação, foram testados múltiplos tamanhos de lag, formando uma estrutura tridimensional (amostras, lags, entradas) compatível com o modelo LSTM. O conjunto de eventos extremos inclui chuvas com duração mínima média de 5.6 horas, acumulado médio superior a 40.56 mm e taxa máxima de precipitação média acima de 17.1 mm/h. Dois métodos foram avaliados: Método 1 (M1): utiliza 80% do histórico de chuva, incluindo períodos sem precipitação, com janelas variando de 1 a 4 horas. Método 2 (M2): treina a rede apenas com eventos de chuva extrema (80% dos eventos selecionados), também com janelas de 1 a 4 horas. O conjunto de validação e teste corresponde a 5% e 15% dos dados, respectivamente, para ambos os métodos. A comparação entre os métodos M1 e M2, baseada no RMSE (Figura 1), revela diferenças na previsão de precipitações intensas para 1 hora à frente: O M1 apresenta erro mais elevado, influenciado pela inclusão de períodos sem precipitação, o que compromete a especialização na previsão de eventos extremos. Além disso, o erro se mantém alto após picos de precipitação, reduzindo a precisão das previsões. Já o M2 apresenta menor RMSE, melhorando a captura do crescimento e dissipação da chuva. O erro diminui conforme o lag aumenta, sugerindo que um maior histórico de dados favorece a previsão e reduz inconsistências em cenários onde a taxa de precipitação muda rapidamente. Contudo, melhorias na previsão de chuvas intensas podem ser alcançadas com ajustes nos modelos, como otimização de parâmetros e seleção de janelas temporais adequadas, além do uso de redes neurais convolucionais (CNNs) para análise de imagens de satélite e radar, identificando padrões espaciais de precipitação. Como trabalho futuro, estamos explorando técnicas de geoestatística, com ênfase na krigagem, para gerar mapas espaciais de precipitação. Esses mapas serão integrados a modelos de Machine Learning, visando aprimorar as previsões e contribuir para sistemas de alerta precoce mais eficazes. Esses avanços fortalecem estratégias de gestão de riscos em áreas como defesa civil, transporte e recursos hídricos. [...]

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Referências

A. N. Caseri, L. B. L. Santos e S. Stephany, “A convolutional recurrent neural network for strong convective rainfall nowcasting using weather radar data in Southeastern Brazil,” Artificial Intelligence in Geosciences, v. 3, pp. 8–13, 2022.

G. Chen e W.-C. Wang, “Short-term precipitation prediction for contiguous United States using deep learning,” Geophysical Research Letters, v. 49, n. 8, e2022GL, 2022.

E. J. Kendon, N. M. Roberts, H. J. Fowler, M. J. Roberts, S. C. Chan e C. A. Senior, “Heavier summer downpours with climate change revealed by weather forecast resolution model,” Nature Climate Change, v. 4, n. 7, pp. 570–576, 2014.

Y. Sha, R. A. Sobash e D. J. Gagne II, “Improving ensemble extreme precipitation forecasts using generative artificial intelligence,” arXiv preprint arXiv:2407.04882, 2024.

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Publicado

2026-02-13

Edição

Seção

Resumos